domingo, 22 de abril de 2012

Coordenação de Comunicação, Eventos, Cultura e Esportes – ComECE



Nota de Esclarecimento

                O estudante é a força propulsora do país, justamente, por estar sempre em busca do conhecimento e da melhor forma que esse conhecimento pode ser aplicado. Assim, são formados os diversos profissionais necessários ao desenvolvimento econômico do país.

                Aos estudantes do primeiro curso de medicina da Universidade de Pernambuco do Campus Garanhuns é dada a responsabilidade de transformar, eficiente e qualitativamente, a realidade da saúde no interior de Pernambuco, estado que, por ser uma das referências brasileiras na medicina bem como na economia, abraçou a política de interiorização da saúde em conjunto com o governo federal representado pela Presidente Dilma Rousseff (que até esteve presente em nossa aula inaugural).

                Contudo, para que a formação desses estudantes se dê de forma responsável e equilibrada – sem que haja contratempos, tais como o atraso de quase um mês da aula inaugural desse curso, o número insuficiente de professores e a falta do prédio com salas, biblioteca e laboratórios próprios para o curso de medicina –, é preciso:

1)      Concurso público para quadro permanente de professores de acordo com todas as disciplinas necessárias a formação do estudante de medicina;

2)      Construção do prédio com salas, biblioteca e laboratórios com características necessárias ao curso de medicina, e prover o laboratório de anatomia de peças anatômicas naturais;

3)      Vincular a administração do Hospital Regional Dom Moura à da Universidade de Pernambuco e adequar esse hospital aos parâmetros reais de um Hospital Universitário, nos moldes vigentes pelos Ministérios da Saúde e da Educação.

                Nós, estudantes de medicina da UPE-Campus Garanhuns, alimentamos com seriedade o compromisso com a Educação e a Saúde por respeitarmos a população brasileira, principalmente, aquela que tem sofrido bastante com a ainda atual precariedade da saúde pública. É o nosso desejo atender ao pedido do Governador Eduardo Campos em nossa aula inaugural: “Guardem o compromisso de atender o povo pobre com quem vocês vão aprender nos hospitais públicos”.

                É assim que construiremos um Brasil melhor por fazer a nossa parte no interior de Pernambuco e por – como o Governador Eduardo Campos destacou – “marcar época pelo desejo de saber e de ser solidário aos que mais precisam”. Para que isso seja possível, é preciso favorecer a boa formação do futuro médico. Afinal, esse sempre foi um dos investimentos da população brasileira a partir do pagamento dos impostos e de outras responsabilidades. É essa mesma população que já não aguenta esperar pela resolução dos problemas da saúde pública, e é ao lado dela que nós – estudantes de medicina da UPE-Campus Garanhuns – estamos.

                Em respeito aos nossos atuais competentes professores (que não mais nos acompanharão a partir do terceiro período devido a restrições do Processo de Seleção Simplificada), à sociedade pernambucana, aos nossos familiares e a nossa dedicação como estudantes, resolvemos por expor toda essa conjuntura.

                Garanhuns-PE, 22 de abril de 2012.

                ComECE.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Coordenação de Comunicação, Eventos, Cultura e Esportes – ComECE

Informativo

                O Centro Acadêmico Ulysses Pernambucano – CAMUP –, representação dos estudantes de medicina do campus Garanhuns da Universidade de Pernambuco, declara sua posição contrária ao PROVALIDA que propõe, como parte de uma política de interiorização da saúde, a validação de diplomas de graduação em medicina expedidos por instituições de ensino estrangeiras. Essa decisão se mantém devido aos seguintes argumentos:

1.       Não há garantia de que o PROVALIDA resulte na estagnação do crescente colapso da distribuição médica e de suas especialidades no sistema de saúde no estado de Pernambuco;

2.       O PROVALIDA vai de encontro à intenção de se interiorizar a Saúde com qualidade à medida que considera o Termo de Compromisso do “profissional PROVALIDA” como forma de mantê-lo no interior e por apenas 2 anos;

3.       O PROVALIDA desvaloriza o Médico da Família na medida em que aprova médicos de formação duvidosa em instituições de ensino estrangeiras a se responsabilizarem pela saúde da população de Pernambuco, desestimulando o surgimento, nessa área, de novos profissionais formados nas escolas desse estado;

4.       O currículo das instituições de ensino estrangeiras não dispõe do estudo abrangente da real epidemiologia brasileira e dos fatores culturais inerentes à Saúde de cada região;

5.        A expansão da Saúde não deve ser baseada apenas em dados numéricos inflexíveis que não ponderam as causas da má distribuição de médicos com suas respectivas especialidades no território do estado pernambucano;

6.       Assim como em outras regiões do Brasil, a concentração de médicos é maior nos pólos econômicos e educacionais, o que termina por atrair os profissionais e facilitar a fixação deles nesses pólos. Exemplo é a região metropolitana do Recife que apresenta, atualmente, cerca de 65% dos profissionais ativos da classe médica pernambucana e três das cinco escolas médicas no estado;

7.       A tomada de medidas desse porte – que afetem diretamente o direcionamento dos rumos da qualidade médica – devem passar por deliberação das diversas entidades médicas, organizações que de fato detêm o conhecimento sobre as reais necessidades da Saúde no país.

                O CAMUP acredita que a responsável política de interiorização da saúde, que visa a qualidade e o bom desempenho do profissional médico, passa por desde a estruturação e a manutenção dos cursos de medicina às políticas objetivas de atração e fixação dos médicos para no interior do estado. É a valorização dos profissionais de medicina – por meio de (1) fornecimento de boas bases educacionais nas escolas médicas, (2) construção de bons ambientes de trabalho com as unidades de saúde bem estruturadas e autossuficientes e de (3) um plano de cargos e carreiras por meio de concursos públicos – o que resultará, efetivamente, no desenvolvimento de um sistema de saúde humanizado, sem o sucateamento das unidades de saúde, sem o afogamento das unidades dos grandes centros e sem a falta de médicos no interior de Pernambuco.

                Garanhuns-PE, 05 de abril de 2012,

                ComECE.

domingo, 25 de março de 2012

Terapia AM

 “Quando a água é pura, o coração do povo é forte.
  Quando a água é suficiente, o coração do povo é tranquilo."
                                                          (Filósofo Chinês  -  Século  IV  A.C.) 


                Com a vontade de, por meio da música, promover os valores da paz e do sentimento amistoso – no período pós-guerra –, em 1948, o Concelho Internacional de Música, patrocinado pela UNESCO, decretou o dia 1 de outubro de 1975 como o Dia Mundial da Música. A música, de fato, é uma linguagem universal capaz de, pela ação da frequência sonora, agitar as moléculas do nosso organismo, que é constituído por cerca de 70% de água. E, assim, a nossa “água interna” dança tal como em maravilhosas Fontes de Águas Dançantes espalhadas pelo mundo.




                Além de hidratar, a água possibilita a ocorrência da maioria de todas as reações bioquímicas do corpo, como as do metabolismo e as da reatividade imunológica. Logo, não é difícil concluir que o bem-estar corporal depende em grande parte dos níveis de água.


 


                Outro fator importante é a capacidade vibratória que todos os corpos têm. E isso é, justamente, resultado da variação das frequências dos diversos componentes bioquímicos do organismo. De acordo com a biofísica, a molécula da água, por exemplo, possui uma frequência própria de vibração bem próxima de 2,45GHz e, assim, é capaz de absorver energia das micro-ondas. E aí reside o princípio de funcionamento dos aparelhos de micro-ondas que tanto facilitam o nosso dia-a-dia.

                E o que isso tem a ver com música?! E com a medicina?! Simplesmente, tudo! Experimenta colocar um bebê ao som de “Dorme neném...” ou “A barata diz que tem sete saias de filó...” e depois ao som de “We Will Rock You” ou “Another Brick In The Wall”. As moléculas de água e o Sistema Límbico respondem de maneira tal que a sonolência ou a hiperatividade podem ser estimuladas. Até mesmo a freqüência cardíaca pode mudar. O bom é que isso vale para todo ser humano com o “Biological Sound System” em perfeita condição natural.


 


                Pesquisas – baseadas nesse princípio da frequência sonora aliado à resposta do Sistema Límbico (emoções) do nosso corpo – têm construído e a permeado a Musicoterapia, que se trata de uma base terapêutica auxiliar por exposição do paciente a uma determinada seleção musical.

                Numa pesquisa liderada por Masanori Niimi – Teikyo University, em Tóquio –, um grupo de ratos transplantados de coração foi exposto, no período pós-operatório, a músicas aquilatadas como as de Mozart ou Verdi. Após uma semana de exposição, constatou-se que esse grupo, comparado a outro não exposto à música clássica, teve sua expectativa de vida prolongada devido à melhor resposta do coração transplantado.  A partir da análise do baço, detectou-se baixos níveis de interleucina-2 e interferon gama (sinalizadoras do sistema imunológico) e níveis elevados de interleucina 4 e interleucina-10 (moléculas anti-inflamatórias). Essa relação molecular é capaz de regular os leucócitos, células responsáveis pelo sistema de defesa contra objetos estranhos ao nosso organismo e capazes de até provocar fenômenos como a alergia e a rejeição de órgãos transplantados. De acordo com o Dr. Masanori Niimi, "nossas descobertas indicam que a exposição à música de ópera pode afetar aspectos da resposta imunológica periférica e melhorar o funcionamento do órgão". É importante salientar que essa pesquisa não exclui a ação positiva de outros estilos musicais.




                Ainda nesse sentido, várias outras pesquisas mundo afora sugerem que a Musicoterapia pode ser utilizada em associação com os métodos tradicionais de tratamento disponíveis para diversas doenças:

·         Seleção Musical em Procedimentos Cardíacos Invasivos: A música especialmente selecionada, como parte do som ambiente no serviço de hemodinâmica, teve um efeito positivo sobre o bem-estar dos pacientes e a sua opinião sobre o ambiente da sala de cirurgia, de modo a diminuir a tensão na fase pré-operatória, favorecendo um relaxamento capaz de proporcioná-los maior segurança/confiança com o resultado da operação.

·         Musicoterapia + Dispositivo de Analgesia Controlada: Diminuição da dor pós-operatória nas primeiras 24 horas e do consumo de analgésico (tramadol) durante as primeiras quatro horas.

·         Musicoterapia + Reabilitação Pós-Operatória: Um efeito benéfico da música foi observado com crianças durante o período pós-operatório de cirurgia cardíaca, por meio da avaliação de alguns sinais vitais (frequências cardíaca e respiratória) e da redução da dor (com o auxílio da Escala Facial de Dor).

·         Atendimento Multidisciplinar de Pacientes Hipertensos: A Musicoterapia tem contribuído para uma melhoria no controle de qualidade de vida e da Pressão Arterial dos pacientes.

·         Home-Based Musicoterapia (HBMT): HBMT é um serviço de cuidado domiciliar que visa, com o auxílio da música, o atendimendo médico humanizado e a melhoria da qualidade de vida de pacientes, cuidadores e familiares que não precisam estar nas unidades de saúde para receberem os devidos cuidados médicos. É uma possibilidade a ser aplicada, por exemplo, em situações envolvidas com algumas doenças degenerativas. 



Água + Música: elixir sem contraindicação.

               No que envolve a Terapia MM (música e medicina), estudos maiores e mais aprofundados ainda são necessários. Mas, decerto, o que eu chamo de Terapia AM (água e música) é imprescindível para uma boa qualidade de vida, seja a dos pacientes ou seja a dos profissionais de saúde. Beba água e ouça música!


 

Fontes:






Por Everton Farias - 2M - Coordenador de Comunicação, Eventos, Esportes e Cultura.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Coordenação de Comunicação, Eventos, Cultura e Esportes – ComECE

Informativo

                Aos 15 dias do mês de março do ano de 2012 – das 11h às 13h30min –, foi realizada a reunião do CAMUP pautada nos seguintes assuntos:

1.       Legalização do CAMUP;
2.       Datas das respectivas reuniões mensais;
3.       Penalidades quanto à falta – nas reuniões do CAMUP – não justificada dos membros eleitos;
4.       Ações e o caráter autônomo das coordenadorias;
5.       Coesão e cooperação entre as coordenadorias por meio da troca informacional;
6.       Biblioteca e os livros para o curso médico;
7.       Concursos para quadro permanente de professores;
8.       Caixa e finanças do CAMUP.
               
                A próxima reunião será realizada no dia 19 de abril de 2012 em local a ser determinado nas dependências da UPE-Garanhuns. Vale lembrar que as reuniões do CAMUP são abertas a todos os estudantes de medicina desse campus. Qualquer dúvida, procurar os coordenadores do CAMUP.

                Garanhuns-PE, 15 de março de 2012,

                ComECE.

sábado, 10 de março de 2012

Diga sim ao ATO MÉDICO!

http://portal.fenam2.org.br/portal/showData/397246

Abaixo-assinado virtual pede aprovação do Ato Médico


Foto:
Abaixo-assinado virtual pede aprovação do Ato Médico


16/01/2012
Está disponível na internet uma Petição Pública direcionada aos senadores para aprovação do Ato médico. O Projeto de Lei (PLS nº 268/2002 e substitutivo ao PL nº 7703/2006) que dispõe sobre a regulamentação da Medicina será votado no início de fevereiro deste ano. A Medicina é a última das 14 profissões existentes na área da Saúde a ser regulamentada, o que é aguardado por todos os médicos brasileiros há longos 10 anos.

Confira!

Abaixo-assinado SIM ao Ato Médico

Finanças do CAMUP

Pessoal, está no email da turma a planilha de controle do caixa do CA.
O saldo está negativo em -17 reais.
Desde de Dezembro de 2011 não houve nenhuma movimentação financeira, portanto a situação atual da tesouraria é a mesma que a deste mês.

Segunda Feira, eu e Raimar vamos explicar qualquer dúvida que o pessoal tenha em relação à leitura da planilha ou direcionamento dos gastos.
Críticas e sugestões são bem vindas.

Coordenação de financias.

domingo, 4 de março de 2012

Flores

            A medicina e outras ciências há muito estudam o complexo Ser Feminino. Na vertente governamental, várias políticas públicas têm sido desenvolvidas para (re)afirmar a função e o local sociais da mulher. No entanto, nos setores sentimental e interpessoal na relação Homem-Mulher, muitos indivíduos do sexo masculino ainda criam “machismos” que, em última análise, constituem-se em medidas desesperadas de se autoafirmarem masculinos. O resultado disso é o alimento à Violência Contra as Mulheres.
            Nunca foi opção aceitar (ou não) a condição natural da mulher como ser social e que, como qualquer outro, tem seu espaço definido – nem por isso menos valioso – na sociedade. Na verdade, qualquer ser social, inerentemente, tem o direito de se autodeterminar ante os diversos componentes de uma instituição, seja a família, a comunidade, a religião ou a política. E, para fazer valer esse direito, de uma lado, as mulheres se promoveram desde as líderes espartanas, passando pelos movimentos feministas e culminando com o abarque às áreas científicas, culturais, econômicas e governamentais da atualidade; de outro, homens sensatos apoiaram o florescimento das mulheres durante os diversos momentos históricos. Mesmo assim, o percurso da “violência às flores” foi bastante marcante. E, como a maioria das datas comemorativas, muita discriminação e muita violência foram necessárias para que o resultado tomasse proporção tal que fosse indispensável o seu reconhecimento:
            - Em 1857, 129 mulheres foram trancadas e queimadas vivas por reivindicarem melhores condições de trabalho (redução da jornada de trabalho de 16 para 12 horas e reajuste salarial) na fábrica Cotton em Nova Iorque;
            - Em 1917, operárias russas deixaram as fábricas e saíram às ruas, atraindo a massa popular a tal ponto que o incidente deu início a Revolução Russa que derrubou o regime czarista em 23 de fevereiro no calendário russo, data que, no calendário ocidental-gregoriano, coincide com o 8 de março. Então, em 1921, a Conferência Internacional das Mulheres Comunistas propôs essa data como o Dia Internacional da Mulher;
            - Em 1922, determinou-se que o dia 8 de março seria, oficialmente, o Dia Internacional da Mulher;
            - Em 2009, o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher foi dedicado ao dia 25 de novembro.

Quanto à violência contra a mulher, são definidos quatro tipos principais:
            - Física: Qualquer tipo de agressão que afete de alguma maneira o bom estado biofisiológico de qualquer parte do corpo feminino;
            - Sexual: Qualquer ato lascivo que possa culminar com ato sexual sem a vontade da mulher como, por exemplo, o estupro ou a sua tentativa;
            - Psicológica: Qualquer coação que desestabilize a integridade da autodeterminação da mulher – seja por ameaças, seja por chantagens;
            - Patrimonial: Qualquer dano causado (geralmente em situações de separação) à bem material – arquivos pessoais, roupas, acessórios, carro, casa e outros – de propriedade da mulher.

De acordo com o Banco Mundial e com a Organização Mundial da Saúde:
            - Cerca de 70% das mulheres sofrem algum tipo de violência no decorrer de sua vida;
            - As mulheres de 15 a 44 anos correm mais risco de sofrer estupro e violência doméstica do que de câncer, acidentes de carro, guerra e malária;
            - Estima-se que 2 milhões de meninas por ano estão sob a ameaça de sofrer mutilação genital;
            - A porcentagem de mulheres submetidas à violência sexual por um parceiro íntimo varia de 6% no Japão a 59% na Etiópia;
            - Metade de todas as mulheres vítimas de homicídio é morta pelo marido ou parceiro, atual ou anterior;
            - As mulheres jovens são particularmente vulneráveis ao sexo forçado e cada vez mais são infectadas com o HIV/AIDS. Mais da metade das novas infecções por HIV em todo o mundo ocorrem entre os jovens de 15 a 24 anos, e mais de 60% dos jovens infectados com o vírus nessa faixa etária são mulheres;
            - Entre 500 mil e 2 milhões de pessoas são traficadas anualmente em situações incluindo prostituição, mão de obra forçada, escravidão ou servidão, segundo estimativas. Mulheres e meninas respondem por cerca de 80% das vítimas detectadas;
            - Os custos da violência contra as mulheres são extremamente altos. Compreendem os custos diretos de serviços para o tratamento e apoio às mulheres vítimas de abuso e seus filhos, e para levar os culpados à justiça. Os custos indiretos incluem a perda de emprego e de produtividade, além dos custos em termos de dor e sofrimento humano.

Soluções para diminuir os casos de violência contra a mulher:
            - Investir em políticas de igualdade de gênero e na Atenção Primária à Saúde/Saúde Preventiva;
            - Promover a Educação em Saúde nas escolas e universidades sobre a saúde da mulher e (por que não?) do homem;
            - Campanhas de desenvolvimento da educação paterna e materna;
            - Reavaliar a real qualidade e contribuição cultural de certos conteúdos culturais que denigrem a imagem da mulher ou promovem a disputa não saudável entre os gêneros;
            - Reavaliar os padrões de beleza disseminados pela propaganda midiática que visam mais questões capitalistas do que propriamente o bem estar físico;
            - Aplicar as leis e, se necessário, reformulá-las de modo mais austero e competente, respectivamente;
            - Conscientização das mulheres sobre o direito do respeito e do bom trato que todo ser humano detém;
            - Conscientização dos homens sobre o dever de respeitar as vontades das mulheres na vida sócio-econômica e os interesses delas sobre trabalho, mercado, cultura, lazer, sexo e privacidade.

Diante disso:
            É importante salientar que a mulher é um ser tão nobre por ser capaz de realizar multitarefas e ainda assim dedicar um tempo precioso ao seu companheiro e a sua família; é capaz – diferentemente dos “machistas” – de observar os mínimos detalhes cotidianos do sexo oposto e neles identificar o princípio da vida como algo divinamente humano e não separatista. Se em Gênesis 1.26,27, as Flores são especiais "...pois a dignidade da mulher não depende de cultura, religião ou raça, e sim no fato dela ter sido criada a imagem e semelhança de Deus..."; em “Meu Amor” de Chico Buarque de Holanda, “Meu corpo é testemunha do bem que ele (o homem) me faz”.
            Mulheres, sabemos que alguns de nós homens não temos sido muito bem comportados, mas, agradecemos por seus esforços, empenhos, trabalhos, respeito, companheirismo e carinho que têm mudado para melhor o nosso modo masculino de ser desde a época de Adão aos dias de hoje. Parabéns.

Fontes:
            http://www.endvawnow.org/en/modules/view/14-programming-essentials-monitoring-evaluation.html#13


Por Everton Farias - 2M - Coordenador de Comunicação, Eventos, Esportes e Cultura.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Quando a célula vira caranguejo.

                   Câncer é o termo dado a doença decorrente da disfunção celular que, geralmente, reflete-se no crescimento desordenado das células. O grego Hipócrates foi quem pensou na palavra Câncer (“Caranguejo”) devido à disseminação das células cancerosas assemelhar-se às patas do caranguejo. Existem mais de 100 tipos de câncer os quais podem ser divididos em dois grupos: os Carcinomas, quando se desenvolvem em tecidos epiteliais tais como pele e mucosas; e os Sarcomas, quando o alvo é os tecidos conjuntivos exemplificados por osso, músculo e cartilagem.

                Normalmente, as causas do Câncer estão relacionadas à interação entre condições externas (hábito de vida ante o meio ambiente) e condições internas (genética capaz de defender ou não as células – e, consequentemente, os tecidos corporais – das agressões externas proporcionadas pelo hábito de vida). De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), 80% a 90% dos cânceres relacionam-se com fatores ambientais: o cigarro e o câncer de pulmão; o sol e o câncer de pele; o vírus HTLV e a leucemia.

                Assim, é importante salientar que a busca pela qualidade de vida é o maior fator de prevenção contra o Câncer. Ao estudante de medicina, cabe a disseminação informativa; o médico, além de informar, deve dirigir o melhor tratamento; o paciente, ao seu turno, deve atentar ao seu hábito de vida de modo a diminuir os fatores de risco para o Câncer.


Dez dicas para se proteger do câncer!

1. Pare de fumar! Esta é a regra mais importante para prevenir o câncer.

2. Uma alimentação saudável pode reduzir as chances de câncer em pelo menos 40%. Coma mais frutas, legumes, verduras, cereais e menos alimentos gordurosos, salgados e enlatados. Sua dieta deveria conter diariamente, pelo menos, cinco porções de frutas, verduras e legumes. Dê preferência às gorduras de origem vegetal como o azeite extra virgem, óleo de soja e de girassol, entre outros, lembrando sempre que não devem ser expostas a altas temperaturas. Evite gorduras de origem animal (leite e derivados, carne de porco, carne vermelha, pele de frango etc) e algumas gorduras vegetais como margarinas e gordura vegetal hidrogenada.

3. Evite ou limite a ingestão de bebidas alcoólicas. Os homens não devem tomar mais do que dois drinques por dia. As mulheres devem se limitar a um drinque.

4. É aconselhável que homens, entre 50 e 70 anos, na oportunidade de uma consulta médica, orientem-se sobre a necessidade de investigação do câncer da próstata.  Os homens com histórico familiar de pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos devem realizar consulta médica para investigação da doença a partir dos 45 anos.

5. Pratique atividades físicas moderadamente durante pelo menos 30 minutos, cinco vezes por semana.

6. As mulheres, com 40 anos ou mais, devem realizar o exame clínico das mamas anualmente. Além disto, toda mulher, entre 50 e 69 anos, deve fazer uma mamografia a cada dois anos. As mulheres com caso de câncer de mama na família (mãe, irmã, filha etc, diagnosticados antes dos 50 anos), ou aquelas que tiverem câncer de ovário ou câncer em uma das mamas, em qualquer idade, devem realizar o exame clínico e mamografia, a partir dos 35 anos de idade, anualmente.

7. As mulheres com idade entre 25 e 64 anos devem realizar o preventivo ginecológico periodicamente. Após dois exames com resultado normal com intervalo de um ano, o preventivo pode ser feito a cada três anos. Para os exames alterados, deve-se seguir as orientações médicas.

8. É recomendável que mulheres e homens com 50 anos ou mais realizem exame de sangue oculto nas fezes, a cada ano (preferencialmente), ou a cada dois anos.

9. Evite exposição prolongada ao sol, entre 10h e 16h, e use sempre proteção adequada, como chapéu, barraca e protetor solar. Se você se expõe ao sol durante a jornada de trabalho, procure usar chapéu de aba larga, camisa de manga longa e calça comprida.

10. Realize diariamente a higiene oral (escovação) e consulte o dentista regularmente.

Fontes: INCA/MS, 2002. Prevenção e Controle de Câncer. Revista Brasileira de Cancerologia, 2002, 48(3):317-332
INCA/MS, 2002. Programa nacional de Controle do Câncer da Próstata: documento de consenso
INCA/MS, 2003. Consenso para o Controle do Câncer de Mama


Por Everton Farias - 2M - Coordenador de Comunicação, Eventos, Esportes e Cultura.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Grupo de neurociências Willian Osler

Foi fundado pelo Prof. Elder Machado o grupo de pesquisa ligado a neurociência vinculado a UPE.Esse inicia-se as suas atividades como um grupo de pesquisa sobre as cefaleias.Em breve terá-se-á a ampliação,para comportar maior numero de estudantes.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Curso de ferias do prof. Osmar.

Universidade de Pernambuco – Campus Garanhuns
INFORMATIVO
CURSO DE FÉRIAS 2012
1. CURSOS OFERECIDOS
MICROBIOLOGIA
 HISTÓRIA DA MICROBIOLOGIA
 PREPARAÇÃO DE CULTURAS DE MEIO LÍQUIDO E SÓLIDO
 INOCULAÇÃO
 ANTIBIOGRAMA
BIOQUÍMICA CLÍNICA
 HISTÓRIA DA BIOQUÍMICA
 BIOQUÍMICA DE CARBOIDRATOS
 CASOS CLÍNICOS
 BIOQUÍMICA DE LIPÍDIOS
2. INSCRIÇÕES
2.1. As inscrições serão realizadas no período de 16/01/2012 a 20/01/2012 no Laboratório de Microbiologia e Bioquímica, na Universidade de Pernambuco-Campus Garanhuns, no horário das 08:00 às 12:00 horas.
2.2. São condições para as inscrições:
2.2.1. Para admissão no curso de férias 2012 o inscrito deverá dirigir ao Biólogo ou a Téc. em Microbiologia e Patologia requerimento com as seguintes informações (formato exigido – anexo 1)
a) Dados Pessoais, incluindo escolaridade;
b) Endereço;
c) Dados Funcionais;
d) Termo de compromisso (formato exigido – anexo 2)
e) Taxas dos referidos cursos de férias 2012:
 1 (um) curso no valor de R$ 40,00 (quarenta reais)
 2 (dois) cursos no valor de R$ 60,00 (sessenta reais)
2.2.2. As informações deverão ser apresentadas no ato da inscrição. Não haverá devolução das taxas de inscrição sob qualquer justificativa.
2.2.3. Conhecer e estar de acordo com as normas do presente informativo.
2.2.4. A inscrição poderá ser realizada pessoalmente ou alguém de inteira confiança.
2.2.5. No caso de inscrição por outra pessoa deverá ser apresentado os documentos do mesmo mais do inscrito.

3. DO NÚMERO DE VAGAS
3.1. Serão oferecidas 15 (quinze) vagas, para o curso de Bioquímica Clínica e 10 (dez) vagas para o curso de Microbiologia, das 25 (vinte e cinco) vagas oferecidas serão priorizadas para os cursos das áreas de biológicas e da saúde, da UPE – Campus Garanhuns.
4. DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS
4.1. O Curso de Férias 2012 terá início no dia 23/01/2012 e término, 27/01/2012, das 08:00h às 12:00h e das 13:30h às 16:00h.
4.2. O prazo para conclusão do curso será no mínimo 1 (uma) semana em regime de tempo integral para os dois cursos, tendo como condição para obtenção do Certificado o cumprimento das exigências estabelecidas de 80% de assiduidade.
4.3. Casos omissos neste Informativo serão resolvidos pelos Responsáveis dos Laboratórios da UPE-Campus Garanhuns, cabendo recurso aos Responsáveis dos Laboratórios por estrita arguição e ilegalidade.
Garanhuns, de dezembro de 2011.
Universidade de Pernambuco – Campus Garanhuns
Osmar Soares da Silva
Biólogo
Universidade de Pernambuco – Campus Garanhuns
Narjara Gerônimo dos Santos
Téc. Em Microbiologia e Patologia


Maiores informações mande-nos um e-mail
camugus@gmail.com

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Estudo de demografia médica no Brasil aponta desigualdade na distribuição de profissionais em todo o país.

Qua, 30 de Novembro de 2011 13:54
Levantamento elaborado por CFM e Cremesp pontua os principais desafios para o trabalho médico no Brasil; dados podem subsidiar políticas públicas

O Brasil é um país marcado pela desigualdade no que se refere ao acesso à assistência médica. Uma conjunção de fatores – como a ausência de políticas públicas efetivas nas áreas de ensino e trabalho, assim como poucos investimentos – tem contribuído para que a população médica brasileira, apesar de apresentar uma curva constante de crescimento, permaneça mal distribuída pelo território nacional, com vinculação cada vez maior aos serviços prestados por planos de saúde, pouco afeita ao trabalho na rede do Sistema Único de Saúde (SUS).
 Estas são algumas das conclusões da pesquisa Demografia Médica no Brasil: dados gerais e descrições de desigualdades, desenvolvida em parceria entre Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). “Numa Nação onde são anunciados avanços econômicos e o combate à pobreza toma ares de programa de governo, torna-se imperioso que a saúde ocupe a centro da cena. Para tanto, temos reiterado a necessidade de mais recursos e o estabelecimento de políticas públicas justas para com o médico e com todos os profissionais da área”, ressalta o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Avila, confiante em que o trabalho subsidie a elaboração de politicas públicas nos campos do trabalho e do ensino médicos.

PRINCIPAIS CONCLUSÕES
Brasil conta com quase 400 mil médicos

  • O estudo mostra que, em outubro de 2011, os conselhos de Medicina registravam a existência de 371.788 médicos em atividade no Brasil.

  • O número confirma uma tendência de crescimento exponencial da categoria, que perdura 40 anos. Entre 1970, quando havia 58.994 médicos, e o presente momento, o número de médicos saltou 530%. O percentual é mais de cinco vezes maior que o do crescimento da população, que em cinco décadas aumentou 104,8%.

  • O aumento expressivo do número de médicos no Brasil resulta de uma conjugação de fatores. Entre eles, estão as crescentes necessidades em saúde, as mudanças no perfil de morbidade e mortalidade, as garantias de direitos sociais, a incorporação de tecnologias médicas e o envelhecimento da população. Também não podem ser ignorados fatores como a expansão do sistema de saúde e a oferta de mais postos de trabalho médico, entre outros.

  • A perspectiva atual é de manutenção dessa curva ascendente. Enquanto a taxa de crescimento populacional reduz sua velocidade, a abertura de escolas médicas e de vagas em cursos já existentes vive um novo boom. A estimativa é de que cerca de 16.800 novos profissionais desembarcarão anualmente no mercado de trabalho a partir de 2011.
Razão médico/habitante aumentou 72,5% entre 1980-2011

  • Essa diferença provocou um aumento na razão médico x habitante. Em 1980, havia 1,13 médico para cada grupo de 1.000 residentes no país. Essa razão sobe para 1,48, em 1990; para 1,71, no ano 2000; e atinge 1,89, em 2009. Em 2011, o índice chega a 1,95 médico por 1.000 habitantes, ou seja: no período, o aumento foi de 72,5%.

  • Na comparação das duas populações (a geral e a dos médicos), se constata que nos últimos 30 anos a dos profissionais é sempre superior.

  • Em 1980, por exemplo, o crescimento deste segmento foi de 6,3%, enquanto o da população geral ficou em 2,2%, ou seja, três vezes superior ao de habitantes.  Em 2009, a taxa de crescimento dos médicos alcançou 1,6%, enquanto o da população em geral foi de 1,1%, diferença de 45,4% para o grupo de profissionais.



Mulheres são maioria entre médicos mais jovens

  • O trabalho desenvolvido pelos conselhos de Medicina permite traçar o perfil da população médica. Um ponto que chama a atenção é a tendência a uma maior presença de mulheres.

  • O ano de 2009 foi um marco histórico no processo de feminização da Medicina, quando pela primeira entraram no mercado mais mulheres que homens. (Tabela 2)

Tabela 2
Tabela 2

  • Como consequência, e também pela primeira vez, no grupo de médicos com 29 anos ou menos, as mulheres passaram a ser maioria.

  • Em 2011, dos 48.569 médicos dessa faixa etária, 53,31% são mulheres e 46,69% são homens. Por outro lado, nas faixas mais avançadas, o cenário permanece predominantemente masculino. Do total de 10.799 profissionais com 70 anos ou mais, apenas 18,08% são mulheres.

  • Este crescimento da participação das mulheres confirma uma tendência consistente, que se observa ao longo das últimas décadas e que se acentuou nos últimos anos.

  • A feminização da Medicina também segue uma tendência mundial. Levantamento da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2007) mostra que a proporção de mulheres médicas em 30 países estudados cresceu 30% entre 1990 e 2005.

  
Novos profissionais superam os inativos

  • O estudo revela ainda a formação de uma reserva de profissionais à qual se agregam ano a ano novos médicos. Isso acontece porque as séries históricas da evolução de saídas e entradas de médicos indicam que o número de médicos que deixa a atividade é sempre inferior às dos que ingressam no mercado de trabalho. Essa diferença mantém a tendência natural de crescimento do grupo.

  • Na Europa, essa reserva tende a diminuir por conta da faixa etária mais elevada população e da tendência de aposentadoria precoce. No Brasil, a situação é oposta. Essa reserva tende a crescer mais rapidamente e a se manter por período mais longo à medida que mais jovens médicos saem das escolas para o mercado.

Abertura de escolas pressiona população médica

  • Uma das principais razões para o salto no número de médicos é a abertura desenfreada de escolas médicas.  O país tinha, em 2009, um total de 185 escolas médicas, com uma oferta de 16.876 vagas.

  • Dados de 2011 indicam que 45% dos cursos estão no Sudeste. Do total de vagas disponíveis, 58,7% são oferecidas por instituições privadas e 41,3% por escolas públicas.


Distribuição dos médicos reforça desigualdade

  • Atualmente, o Brasil conta com uma razão de 1,95 médico por grupo de 1.000 habitantes. Contudo, esse índice flutua nas diferentes regiões.

  • O Sudeste, com 2,61 médicos por 1.000 habitantes, tem concentração 2,6 vezes maior que o Norte (0,98). O resultado do Sul (2,03) fica bem próximo do alcançado pelo Centro Oeste (1,99). Ambos têm quase o dobro da concentração de médicos por habitantes do Nordeste (1,19).

  • Quando se olha por unidade da federação, no topo do ranking ficam Distrito Federal (4,02 médicos por 1.000 habitantes), o Rio de Janeiro (3,57), São Paulo (2,58) e Rio Grande do Sul (2,31). São números próximos ou superiores aos de países da União Europeia. Esses três estados, mais Espírito Santo (2,11) e Minas Gerias (1,97), estão acima da média nacional (1,95).

  • Na outra ponta, estão estados do Norte (Amapá e Pará) e do Nordeste (Maranhão), com menos de um médico por 1.000 habitantes, índices comparáveis a países africanos. Um olhar mais de perto permite notar distorções e desequilíbrios ainda mais acentuados dentro dos próprios estados, regiões e micro-regiões.

  • A concentração tende a ser maior nos pólos econômicos, nos grandes centros populacionais e onde se concentram estabelecimentos de ensino, maior quantidade de serviços de saúde e, consequentemente, maior oferta de trabalho. Regiões menos desenvolvidas, mais pobres e interiores de estados com grandes territórios e zonas rurais extensas têm, sabidamente, maior dificuldade para fixar e atrair profissionais médicos.


Relatório aponta equívoco na avaliação do segmento médico

  • O relatório final do levantamento feito pelos conselhos de Medicina evidencia o equívoco de se contar os médicos “por cabeça” e de se calcular a relação entre o número de profissionais em atividade e a população domiciliada.

  • Em países como o Brasil, de extenso território, com disparidades sócio-econômicas regionais, com grandes diferenças no acesso e na oferta de profissionais, equipamentos e tecnologias, além de sede de intensos conflitos entre o público e o privado na saúde, o cálculo não é eficiente.

  • Como índice desejável para países em desenvolvimento, popularizou-se equivocadamente um padrão mínimo de 1 profissional médico para cada grupo de 1.000 habitantes. Essa relação “almejada”, erroneamente atribuída à Organização Mundial da Saúde (OMS), nunca foi explicada ou justificada, embora continue empregada com frequência.

  • Da mesma forma, não há justificativa para o parâmetro de 2,5 médicos por 1.000 habitantes, meta divulgada pelos ministérios da Saúde e da Educação, que, supostamente, toma como referência países principalmente da União Europeia que em pouco se assemelham ao Brasil.


Presença de médicos nas capitais é duas vezes maior que a média nacional

  • É nas cidades de maior porte, especialmente nas capitais, que se concentram a maioria dos médicos brasileiros. Essa situação reflete a tendência do profissional se fixar e trabalhar na cidade ou região onde fez sua graduação e residência.

  • A presença predominante dos médicos nas capitais aumenta a desigualdade no acesso ao atendimento médico. Em média, o conjunto desses municípios apresenta uma razão de médicos registrados por 1.000 habitantes de 4,22. Esse índice é mais que duas vezes superior à média nacional (1,95).

  • A cidade de São Paulo, por exemplo, tem 4,33 médicos registrados por 1.000 habitantes, enquanto o estado tem 2,58. Três capitais de porte médio do Sudeste e do Sul (Vitória, Belo Horizonte e Florianópolis) chamam a atenção pela elevada proporção de médicos registrados por habitantes, especialmente quando se compara com os números dos seus próprios estados.
Postos de trabalho ocupados ajudam a entender o mapa da distribuição dos médicos no país
  • O levantamento elaborado pelos conselhos de Medicina adiciona outro parâmetro: o “posto de trabalho médico ocupado”, como complemento do critério “médico registrado”, já descrito anteriormente. Por este cálculo, a razão de médicos disponíveis para o atendimento da população é quase duas vezes maior que a de médicos por 1.000 habitantes.

  • O número de postos ocupados por médicos em estabelecimentos de saúde no Brasil chega a 636.017, enquanto o país tem 371.788 profissionais registrados nos CRMs. Assim, o número de postos ocupados por médico é de 3,33 por 1.000 habitantes.

  • Este dado permite que o médico deixe de ser contado como um único profissional, como é feito quando se usa o indicador “médico registrado”. Um mesmo médico, se atender em dois locais, ou tiver dois diferentes vínculos, será contado como “dois postos de trabalho médico ocupados”.

  • Acrescentar essa possibilidade de análise é relevante quando se considera que o modelo de sistema de saúde brasileiro permite múltiplos vínculos do mesmo médico. O mesmo profissional atua em mais de um serviço e atende diferentes populações, até mesmo em municípios diferentes.

  • Ressaltadas suas particularidades metodológicas, o critério “posto de trabalho médico ocupado” reforça as desigualdades regionais já demonstradas nas estatísticas de “médicos registrados”. As regiões Sudeste e Sul se colocam novamente no extremo oposto das regiões Norte e Nordeste.

  • Nos estados do Rio e de São Paulo, cada grupo de mil moradores conta com cerca de 4,47 postos de trabalho médico ocupados. O índice é 44% superior à média do país, que tem 3,33 postos de trabalho médico ocupados por 1.000 habitantes.

  • Quando comparados com o estado do Maranhão, os estados do Rio e São Paulo têm 3,4 vezes mais postos médicos ocupados por grupo de 1.000 habitantes. O Maranhão conta com 1,31 posto de trabalho médico ocupado por 1.000 habitantes, duas vezes e meia menos que a média nacional.

  • Nas capitais, o fenômeno da desigualdade se acirra ainda mais. Com relação aos postos de trabalho ocupados, as capitais contam com 5,89 postos por 1.000 habitantes, contra 3,33 no conjunto do país.

  • Assim como na distribuição de médicos registrados, Vitória, Belo Horizonte e Florianopólis têm entre 10 e 17 médicos ocupados por 1.000 habitantes, enquanto seus respectivos estados ficam entre 3,34 e 4,15 – ou seja, os que moram nessas três cidades contam com cerca de quatro vezes mais profissionais e serviços médicos que aqueles que vivem no interior do estado.

Usuários do SUS têm quatro vezes menos médicos que os do setor privado

  • A pesquisa indica que os usuários do Sistema Único de Saúde contam com quatro vezes menos médicos que os usuários do setor privado para atender suas necessidade de assistência.

  • Quando se considera a dimensão da população que depende exclusivamente do SUS (3,25 vezes maior que a dos planos), constata-se que a clientela da saúde privada conta com 3,9 vezes mais postos de trabalho médico disponíveis que os usuários da rede pública.

  • No conjunto do país, são 46.634.678 usuários de planos de saúde, segundo dados de 2011 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O levantamento indica a existência de 354.536 postos de trabalhos médicos em estabelecimentos privados que, em tese, prestam todos eles serviços às operadoras de planos de saúde.

  • Isso significa que para cada 1.000 usuários de planos no país, há 7,60 postos de trabalho médico ocupados. Esse índice salta de 3,17 no Amazonas – o pior colocado entre os estados –, para, em unidades como Sergipe, Piauí, Acre, Distrito Federal e Bahia, entre 12 e 15 postos ocupados por 1.000 usuários privados.

  • Esse índice cai para 1,95 quando se faz a razão entre postos ocupados nos estabelecimentos públicos – que são 281.481 –, e a população que depende exclusivamente do SUS, que soma 144.098.016 pessoas.

  • O quadro de penúria e desigualdade é ainda maior em estados como Maranhão e Pará, que contam com menos de um posto de trabalho médico ocupado por 1.000 habitantes/SUS.

  • Entre as regiões há diferenças significativas na concentração de médicos nos serviços público e privado. Os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo estão num extremo –, com mais de 3 postos ocupados por 1.000 usuários do serviço público – seguidos pelo Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais e Roraima, que contam entre 2 e 3 médicos por 1.000 habitantes SUS.

  • A Bahia ilustra a distorção de forma dramática. Quando se trata da população usuária do SUS, conta-se apenas 1,25 posto ocupado por 1.000 habitantes – fica à frente apenas do Maranhão e do Pará.
  • Quando se olha a população usuária de planos de saúde, o número de médicos ocupados por 1.000 habitantes salta para 15,14. Aqueles que têm acesso somente à saúde pública – que representam 89,7% da população daquele estado – contam com 12,11 vezes menos postos de trabalho médico ocupados que seus vizinhos de planos de saúde.
  • Mesmo em estados onde a taxa de cobertura dos planos de saúde é elevada, como São Paulo, onde 44,5% da população tem plano de saúde, é grande a diferença entre médicos entre os sistemas público e privado. A população paulista usuária de planos de saúde conta com 6,23 postos de trabalho médico ocupados por 1.000 habitantes clientes. Já os usuários do SUS no estado têm menos da metade: 3,04 postos ocupados por 1.000 habitantes.

Razão público-privado acentua a desigualdade nas capitais brasileiras

  • A desigualdade na distribuição dos postos de trabalho entre os setores público e privado se acirra nas capitais, onde a razão de posto de trabalho médico ocupado em estabelecimentos privados é de 7,81 por 1.000 habitantes usuários de planos, mais que duas vezes o índice encontrado entre médicos e usuários do SUS (4,30 médicos por 1.000 habitantes).

  • O Espírito Santo é a unidade da federação com maior desigualdade entre capital e o resto do estado. Enquanto no estado o índice de médicos por usuários do SUS é de 2,54 por 1.000, ele chega a 7,67 entre beneficiários de planos. Em Vitória, esses números sobem para 25,52 e 15,72, respectivamente.

  • Chama a atenção especialmente o número de postos ocupados por médicos em estabelecimentos públicos por habitante no SUS (25,52 por 1.000 habitantes), o que corresponde a 6,8 vezes mais que a média de todas as capitais.

  • Cuiabá, Macapá, Teresina, Belém, Porto Velho, Rio Branco, Boa Vista, Palmas, São Luiz, Maceió, Salvador, Campo Grande e Brasília têm menos de 3 postos de trabalho médico ocupados no SUS por 1.000 usuário do serviço público.


Indicador mostra desigualdade na distribuição dos médicos entre os setores público e privado

  • Para lidar com as diferenças na oferta de médicos entre usuários do SUS e os clientes de planos de saúde, o estudo desenvolveu o Indicador de Desigualdade Público/Privado (IDPP).

  • Trata-se da razão entre posto de trabalho médico ocupado em estabelecimento privado por 1.000 habitantes, sobre a razão posto de trabalho médico ocupado em estabelecimento público por 1.000 habitantes.

  • Quando o resultado é menor que 1, significa que há mais postos de trabalho médico ocupados no setor público proporcionalmente a seus usuários que no segmento privado, em relação a seus beneficiários.

  • Se é igual a 1, indica que a relação é a mesma. Se o indicador é maior que 1, significa que existem mais postos ocupados no setor privado, sempre em relação à população coberta.

  • O cálculo demonstra que a razão de desigualdade em todos os estados é muito acima de 1 – a média é de 3,90, indicando que em todos há proporcionalmente muito mais médicos à disposição de usuários privados que de usuários exclusivos do SUS.

  • Entre as capitais, no entanto, três delas têm o indicador abaixo de 1, com mais postos de trabalho médicos a serviço do setor público que profissionais no setor privado – Vitória, Rio de Janeiro São Paulo.

  • Os estados do Rio de Janeiro e da Bahia ilustram os dois extremos no IDPP. Tomando-se o número de médicos cariocas ocupados nos estabelecimentos privados em relação a 1.000 habitantes beneficiários desses serviços, tem-se a razão de 5,9. No setor público, a relação é de 3,6 postos ocupados por 1.000 usuários/SUS. A razão do primeiro sobre o segundo é de 1,63.

  • Por sua vez, na Bahia, há 15,1 postos de trabalho ocupados no setor privado por 1.000 beneficiários. No setor público, a relação é de 1,2 posto de trabalho médico ocupado por 1.000 usuários/SUS. A razão do IDPP é de 12,5.

  • O resultado não mostra se há sobra ou falta de médico nesses estados, mas aponta que os cariocas que utilizam o serviço público contam com um número de médicos bastante próximo daqueles que se valem de planos privados de saúde. Já entre os baianos, há uma enorme diferença entre essas duas populações, com grande desvantagem para os usuários exclusivos do SUS.

  • O IDPP, portanto, ajuda a visualizar o nível de disparidade entre o Brasil da assistência médica privada e o Brasil do usuário que depende exclusivamente do SUS. No país como um todo, o IDPP é de 3,90, indicando um alto índice de desigualdade tanto entre as regiões quanto entre as capitais.

Setor privado da saúde atrai mais médicos

  • O levantamento indica que o setor privado oferta cada vez mais posto de trabalho para população médica brasileira.

  • A conclusão do levantamento realizado pelos conselhos de Medicina levou em consideração os dados de três anos distintos – 2002, 2005 e 2009 –, para os quais há informações disponíveis sobre postos de trabalho médico ocupados (série histórica da pesquisa AMS-IBGE).

  • Nos anos selecionados, o número de médicos em geral cresceu 14,8% em sete anos: foi de 305.934 médicos, em 2002, para 330.381, em 2005, e 359.254, em 2009.

  • Mas ao se analisar, nos mesmos anos, o crescimento dos postos de trabalho médico ocupados, observa-se uma evolução diferenciada nos setores público (72.156 postos a mais) e privado (98.350 postos). A diferença a favor do privado é potencialmente maior considerando-se o tamanho das populações cobertas pelos SUS e pelos planos privados.

  • Além da distribuição injusta de médicos, não são poucas as desigualdades geradas por uma estrutura de financiamento e de oferta de serviços que privilegia o privado no sistema de saúde brasileiro.

  • Nos países com sistemas de saúde universais consolidados, mais de 65% dos gastos com saúde são públicos, a exemplo de Reino Unido (83,6% de gastos públicos), França (76,7%), Alemanha (75,7%), Espanha (72,1%), Portugal (69,9%) e Canadá (68,7%). No Brasil, o total de gastos públicos atinge apenas 45,7% do total destinado à saúde, situação agravada pelo subfinanciamento crônico e pela não regulamentação da Emenda Constitucional 29.